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Dia da Consciência Negra: A falta de autores negros

Dia da Consciência Negra – Na década de 1970, um grupo de estudantes negros se reuniram para pesquisar a luta dos seus antepassados e questionar a legitimidade do 13 de maio, data da assinatura da Lei Áurea, como referência de celebração do povo negro. No lugar, sugeriam o 20 de novembro, dia da morte de Zumbi dos Palmares, para destacar o protagonismo da luta dos ex-escravizados por liberdade e gerar reflexão para as questões raciais. A semente plantada ali é um dos marcos da constituição dos movimentos negros e está na raiz do Dia da Consciência Negra.

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), analisando publicações das principais editoras brasileiras entre 1965 e 2014, o negro aparece mais como tema em alguma narrativa do que como voz autoral. Os dados mostraram que os autores brasileiros são homens (70%), brancos (90%) e paulistas ou cariocas (50% do total). Os personagens retratados também são os mais próximos da realidade desses autores: os protagonistas são homens (60%), brancos (80%), heterossexuais (90%). Quando o negro é personagem (6,2% dos romances publicados entre 2004 e 2014), 4,5% deles protagonizaram as histórias e a maioria (obras de 1990 a 2014) desenvolvia ocupação de bandido, empregado doméstico, escravo, profissional do sexo e dona de casa.

Segundo a mestra e pesquisadora do curso de direito da Estácio, Anne Caroline Fernandes Alves deve ser desenvolvido um diálogo imprescindível, para estar presente em todas as ações, mas que ganha palco neste mês é o racismo, o preconceito e a discriminação racial.  “Assim, é fundamental propor a importância de ocupar os espaços de discussão e que nossas práticas estejam voltadas à educação que promova o respeito à diversidade étnico-racial e cultural da sociedade brasileira cuja compreensão passa por um momento histórico de reconhecimento, tanto legal quanto politicamente, da presença das populações de origem africana na formação da nação”, descreve.

Anne chama a atenção para uma descolonização das tradicionais leituras, que por tanto tempo desprezaram os intelectuais negros. “Como o antropólogo e professor Kabengele Munanga, a deliciosa escrita de Chimamanda Ngozi Adichie, da filósofa e ativista Sueli Carneiro que, em “Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil”, apresenta resultados da reducão das desigualdades trazidas pela diminuição da discriminação racial acontecida nos últimos anos”, cita a docente.

A advogada cita também Elisa Lucinda, jornalista, poeta, escritora, atriz e cantora e fundadora do espaço cultural Casa Poema, no Rio de Janeiro, que sedia eventos relacionados a literatura, teatro e música. Além da jovem ativista Carla Akotirene (nascida Carla Adriana da Silva Santos, em Salvador), que tem se destacado no feminismo negro. “Seu objeto de estudo é o que ela chama de interseccionalidade. Temos também a Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira de pouca instrução que se destacou por seus relatos, em forma de diários, sobre sua dura realidade na favela. Conceição Evaristo, que nos choca e nos corta a alma com seus romances, contos e poesias”, complementa.

A professora conta que o objetivo é que as pessoas passem a conhecer mais sobre o talento e a capacidade, sobre a representação e a potente construção de conhecimento, de arte e cultura que nos circundam e que foi subalternizada e silenciada. “Assim, nada melhor que aproveitar nossos espaços de leitura para convidar, para indicar, para visibilizar tanta gente poderosa em seus escritos e que estão prontos para serem lidos”, finaliza.

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