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Precisamos falar de saúde mental até durante as festas de fim de ano

saúde mental – A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou neste segundo semestre de 2022 sua maior revisão mundial sobre saúde mental desde a virada do século. O trabalho fornece um plano detalhado para governos, acadêmicos, profissionais de saúde, sociedade civil e outros com a ambição de apoiar o mundo na transformação sobre esse tema, que ainda é um tabu.

Segundo o mestre e docente em psicologia da Estácio, Luciano Barbosa, a saúde mental ainda é pouco discutida diante da imensidão de pessoas atingidas por essas doenças. “Nós precisamos falar de saúde mental porque é comum as pessoas que estão muito tristes ou ansiosas acharem que ‘o problema’ está nelas. Mas na verdade o que acontece é que adoecemos no coletivo, então é no coletivo que devemos buscar uma via razoável para lidarmos com o nosso sofrimento psíquico. É por isso que precisamos nos engajar nessa discussão em escolas, famílias e empresas de uma maneira eficaz”, revela.

Principalmente neste período de fim de ano, Natal e Réveillon, Luciano explica que as pessoas são forçadas a apresentar uma alegria constante, gratidão pelo ano encerrado e entusiasmo para o próximo ano. “Para boa parte da população o sentimento é de alegria, mas o período também faz aflorar a tristeza, angústia e solidão para alguns. Para se ter uma ideia da dimensão dessa realidade, historicamente, a procura por atendimento no Centro de Valorização da Vida (CVV) aumenta cerca de 20% em dezembro”, estima.

“Quando percebemos que outras pessoas se sentem de maneiras parecida ou próxima, isso pode ajudar a encontrar saídas coletivas, inclusive com políticas públicas e outros projetos. Um exemplo de engajamento nesta questão são os príncipes de Gales William e Kate, que possuem uma ONG para dar apoio e suporte aos tratamentos na Inglaterra e viajam pelo mundo para falar sobre a importância de cuidar da mente. Ter famosos que falem de sua saúde mental ajuda a desmistificar o tema”, comenta o docente.

Luciano reforça que é muito importante ter apoio de familiares e amigos, mas é ainda mais importante procurar ajuda profissional. “Se um amigo quiser conversar e desabafar, indique uma psicoterapia. Falamos, damos novos significados, revelam os fatos e emoções para uma pessoa que foi treinada para traduzir isso de acordo com o conhecimento científico. O profissional psicólogo tem uma bagagem que o instrumentaliza a analisar e a intervir amparado em conhecimento testado e verificado”, orienta.

“Precisamos falar porque o adoecimento psíquico, incluindo o suicídio, são questões de saúde pública. É importante que todos se engajem no tema, mas também é igualmente importante não ficarmos apenas nas discussões. A saúde mental deve ser pauta o ano inteiro porque todos os dias pessoas estão tirando a sua própria vida, em todos os cantos do planeta. Com isso, precisamos de políticas públicas que funcionem em todas as instâncias”, finaliza o psicólogo.

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